quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sobre amores e ensaios

Ensaio sobre amor consensual

- Augusto, por que me encaras tanto?

Percebi que a matemática do amor anda meio desatualizada. Ontem, ao analisar nossas equações, vi que chegamos a resultados diferentes. E, neste caso, a divergência de resultados não é positiva. Nunca foi.
Enquanto calculava a probabilidade de chegarmos a um consenso, incontáveis lágrimas escorriam por toda a extensão do meu rosto, quase como daquela vez em que deixamos o chuveiro ligado simplesmente porque estávamos eufóricos demais para percebermos que a água continuava a cair. Desta vez, entretanto, a euforia não se fazia presente.

Ainda que elevássemos nosso amor a mais alta potência,
não chegaríamos a uma decisão sensata.
Mas, afinal, de que importa?
Nossa matemática nunca foi exata.

Se nosso amor estivesse de alguma forma relacionado com a matemática, ele seria aquela equação de segundo grau, que precisa de fórmula para ser resolvida.

Pena que essa fórmula ainda não foi inventada.

Ensaio sobre amor paradoxal

- Augusto, por que não me olhas nos olhos?

Percebi que a filosofia do nosso amor anda meio desvirtuada. Ontem, enquanto conversávamos, vi que não estávamos mais na mesma página - filosoficamente falando. Ainda assim, o diálogo prosseguiu, rumo ao desalento.
Vamos supor que, de forma filosófica, eu venha buscando a universalização do nosso amor. Sim, ainda me prendo a esse romantismo exacerbado, de modo a querer gritar para o mundo inteiro tudo aquilo que sinto por você. Mas a racionalização desse amor grita mais alto, impedindo o romantismo de ser ouvido. Filosoficamente trágico.

Ainda que filosofássemos sobre amor durante toda a noite,
não nos livraríamos desses malditos paradoxos.
Mas, afinal, de que importa?
Nosso amor nunca foi dos mais ortodoxos.

Se nosso amor estivesse de alguma forma relacionado com a filosofia, ele seria o conceito socrático-platônico de amor.

Pena que, assim como Sócrates e Platão, nosso amor já morreu há tempos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário