quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sobre cafeína, ruivas e viver para sempre

Madrugada adentro, milhões de pensamentos fumegantes eclodiam em sua cabeça; um deles se sobressaía: queria viver para sempre. A obscuridade do céu da madrugada já dava lugar ao primeiros raios de Sol da manhã. E ela ainda estava lá, no mesmo lugar em que havia passado os últimos três dias. Levou tempo para que ela chegasse a essa conclusão, mas um fator foi determinante: o fator coração. Ela estava amando novamente.

A mesa de seu quarto estava completamente bagunçada. Xícaras de café estavam por todos os cantos, indicando que, ao menos nos últimos dias, ela havia se rendido à cafeína como um último esforço desesperado para se manter acordada. Ela não queria dormir. Havia tanto a se fazer. Havia tanto a ser escrito. 

Seu diário estava aberto na página oito. Lá, era possível ver diversas citações de "Peter Pan", o livro de J. M. Barrie. Uma delas se destacava: "Ela lhe contou histórias, ele a ensinou a voar... Amavam-se, mas ele não queria crescer." Ela estava lendo "Peter Pan", e isso explica o "querer viver para sempre". Somado à paixão, esse "querer" havia adquirido uma força imensurável, e ela se entregou.

Ela permanecia sentada, com uma xícara de café em mãos e os olhos voltados para o diário. Seu pensamento, no entanto, estava distante dali. Parte dele ainda remetia à história de Peter Pan; a outra parte, por sua vez, remetia à ruiva que estava presente em muitas das páginas desse diário, e que definitivamente havia lhe conquistado o coração.

Quer viver para sempre? Deixa um escritor te amar.

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