"Descrição - caracterização de pessoas, objetos ou lugares, particularizando o que deseja-se ser ressaltado."
Liguei o modo descritivo. Adentrei o mais meticuloso e inconstante dos teus sonhos e lá permaneci, incrédulo, tornando-me um mero objeto descritivo para teus pensamentos polissêmicos. Não que eu me importe - e de fato, não me importo -, mas a tua inconstância me desvirtua, e me faz pensar intensamente antes de escolher os adjetivos que melhor poderiam te descrever.
Abandonei o modo descritivo. Perambulei arduamente pelo teu coração, perscrutando cada fresta, sondando cada um desses caminhos bilaterais e vasculhando minuciosamente todas as arestas, tentando encontrar algum mero resquício de sentimento que pudesse justificar todo o meu esforço para te manter aqui, intacta. Mais uma vez, nada foi encontrado.
Tentei encontrar a melhor maneira de nos descrever. Fui surpreendido por uma enorme escassez das chamadas "palavras apropriadas", aquelas que, assim como um persuasor ardiloso, surgem subitamente, prontas para contornar uma situação complicada. Também esbarrei em meus próprios conceitos, já que considero improvável a possibilidade de conseguir nos descrever de maneira sensata.
Tentei encontrar a pior maneira de nos descrever. Abruptamente, uma quantidade infindável de adjetivos me veio à cabeça, catalisando de maneira absurdamente perturbadora todo o fluxo da reação contextual que um dia já nos fez relacionar. Ainda não fui capaz de escolher o adjetivo mais - ou menos - apropriado para me expressar, mas se um dia eu aparecer com um factual INAPTOS ou um arrebatador INEFÁVEIS, não se preocupe, é de amor que eu estou falando.
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