quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

123-456

Olhar para o lado e ver que ninguém caminha com você, perguntar algo e ver que ninguém vai te responder, refletir sobre coisas que não fazem o menor sentido para a maioria das pessoas, mas que para ti tem um significado enorme.
Fingir que está prestando atenção em uma conversa quando seus pensamentos estão bem longe dali . . . seus pensamentos estão voltados para algo que já te fez bem, mas que hoje te tortura como nenhuma outra coisa consegue fazer. Muitas perguntas se passam pela tua cabeça, a maioria delas sequer precisa de respostas, teu coração já sabe o que fazer.
Achar que está fazendo a coisa certa quando na verdade está se dirigindo para um caminho perigoso e sem volta, achar que tua decisão é a mais sensata do universo quando na verdade ela é a mais egoísta e estúpida possível . . . achar que ama a melhor pessoa do mundo, e talvez você ame mesmo.
Amar te remete a uma mistura de sentimentos sem sentido, amar tem o poder de te levar a felicidade mais profunda e sincera do mesmo jeito que pode te levar a uma depressão eterna, depende do jeito que você ama, depende do jeito que te amam de volta, se é que fazem isso . . . É uma mistura de sentimentos inconstantes, é um relógio que nunca para, é uma balança em desequilíbrio, é o seu coração em formato de um quebra cabeça de apenas duas peças, e que jamais estará completo pois a outra metade está perdida para sempre.
O mais certo é dizer que concordamos em discordar, o mais correto é dizer ‘talvez’ mesmo que tua boca queira dizer ‘sim’, às vezes o certo pode ser desistir, apesar do teu coração não querer mais mentir. O mais sensato é refletir e pensar, mesmo quando teu coração já não aguenta mais esperar, talvez a decisão mais correta seja se entregar, mesmo quando teu coração já não aguenta mais amar.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

301-992

Não há para onde ir, já não existe salvação, esse pesadelo é eterno, faz parte da imaginação. A temperatura te causa feridas, feridas na pele, feridas na alma. Esse calor nunca vai passar, vai te queimar, vai doer, eu sei que vai doer, vai te possuir, te dominar de um jeito incompreensível, vai brotar no teu coração de forma inimaginável.
O lar dos mortos vivos, um mundo de eterno conhecimento, uma casca corroída pelo tempo, um machucado que jamais será levado pelo vento. O inferno que costumava chamar de lar, a casa dos meus pensamentos, um local onde as pessoas cantavam os versos mais abstratos, liam os textos mais vagos que existem … local onde costumavam vir para se libertarem dos espíritos malignos que ainda assombram esse ambiente.
A fuga de uma prisão de ferro, a cartada de um show de mágica, um laboratório destruído pelos seus próprios inventos . . . inventos que revolucionaram o mundo, destruíram o ser humano e subjulgaram a vontade que as pessoas costumavam ter. Já não existe mais desejo de vida, o impossível lhe dominou, foi traído pelas probabilidades, o desespero falou mais alto . . . a única saída foi desistir, desistir de tudo isso.
De repente tudo ficou mais calmo, parece que tudo passou, as pessoas voltaram a enxergar, o sol parece que vai voltar . . . triste é saber que tudo isso não passa de uma ilusão, triste é saber que o mundo escureceu, a lua amadureceu . . . a lua derrotou o sol, a claridade já não será mais vista. A realidade é essa, um mundo obscuro, o mundo dos corpos dilacerados, o cativeiro das almas subjulgadas, o inferno sob as tuas visões, o cemitério das boas intenções. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

859-123

O efeito criativo já não tem mais reação, tudo de bonito já ficou para trás, a ponta de esperança fica no outro extremo do mundo, a salvação já não está mais em nossas mãos. O momento de redenção já não deve mais acontecer, nada é tão simples quanto parece, é muito horror para pouca ficção, é muita falsidade espalhada pelo mundo.
O orgulho das pessoas está cada vez mais aparente, para adentrar seus corações é necessário atravessar uma quantidade gigantesca de barreiras, enfrentar dezenas de obstáculos, persistir até não agüentar mais, agarrar-se numa pequena linha de objetividade e manter-se fiel a ela mesmo na mais forte das tempestades, tempestade essa que tem o poder de quebrar barreiras, destruir fronteiras e criar dezenas e dezenas de falsas modéstias, relações de concordância e afeto desnecessário.
Uma fina camada de brutalidade alagada totalmente por uma poça de solidão jamais vista antes, um passo em falso que te leva ao mais obscuro dos lugares, uma monotonia causada pelas mentes mais depressivas do universo.
O coração que jamais será conquistado, mesmo pelo mais insistente dos conquistadores; a donzela que jamais encontrará seu príncipe, mesmo que o procure eternamente; a pergunta que jamais encontrará uma resposta, por mais simples que ela possa parecer; o ser humano que não chegará a lugar nenhum, mesmo que trabalhe eternamente.
Fatos e fatos nesse mundo de questionamentos incessantes e respostas questionáveis, discussões que por mais singelas que possam ser, não irão levar a lugar nenhum, é tudo uma falsa ilusão, tudo uma peça pregada pelo teu coração.
Um caminho infestado de pedras, várias direções, diversos obstáculos, muitos inimigos e uma sensação de que tudo pode acabar a qualquer instante . . . isso é algo sem sentido, isso é algo complexo,  talvez seja aquilo que alguns chamam de vida , porém isso nós jamais saberemos.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

666-666

Um dia de melancolia, uma noite em que as estrelas fugiram entre meus dedos, mãos estendidas ao relento e um coração vazio e petrificado esperando receber um pouco de amor.
Uma vida sem roteiro, uma tortura sem previsão de término, um fim sem o menor dos sentidos.
O sol está nascendo de novo, como se fosse um alivio, um alivio sem sentido, um alivio deturpado que eu não queria sentir, mas que hoje me permite respirar fundo e entender o que eu não conseguiria entender há um tempo.
Um sopro, o sussurro, os passos que me levam a lugar nenhum, o silêncio que destrói a minha mente. Os dias, os instantes, o final ou apenas o momento. Uma batalha interminável, um sofrimento opcional, palavras que escorrem pelos teus olhos e morrem nesse caminho complexo. Pobres palavras, jamais terão conhecimento sobre seu desfecho, jamais saberão aquilo que podem proporcionar.
Mentes fracas, influências covardes e um desespero corporal que causa medo até mesmo nos mais durões. Mas o medo se torna escasso quando há algo que o proteja fielmente, algo que lhe dê segurança mesmo na mais triste das circunstâncias, algo que lhe proporcione conforto mesmo no mais sádico dos refrões.
Um pingo na janela que cai e flutua como uma gota de magia que talvez exista, que talvez me dê esperança, que talvez me permita sonhar, se é que posso fazer isso . . .
Um lápis de cor com o poder de mudar o mundo, um caminhão carregado de sonhos, um mundo imaginário onde as proporções são surreais e os sentimentos não existem. A vida refletida em uma maré de baixo astral, em uma colmeia de solidão e em uma imensidão preta e branca. . . que já implora por esse pequeno lápis de cor.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

278-105

Um refrão mal conduzido, versos que jamais serão publicados, palavras perdidas nessa imensidão gelatinosa que costumamos chamar de mundo. Uma derrota por questão de segundos, uma injustiça cometida, um conto de fadas sem um final.
A queda foi dolorosa, pareceu perdurar durante uma eternidade. Nesse céu habitado por pássaros, um corpo humano roubava a cena, porém pelo motivo errado. Os pássaros sabiam que aquilo não estava certo, mas já não ligavam mais, sabiam que isso voltaria a acontecer querendo eles ou não. Os pássaros já não cantam mais, cansaram de se esforçar, perceberam que já não valia mais a pena.
Gritos agudos já não seriam mais ouvidos, o som do violão estava calado para todo o sempre, vozes malignas ensurdeciam o ambiente. O que fazer? Se entregar? Lutar pelo mesmo ideal sabendo que isso não te levará a nada?
Um ideal falho, um amor não correspondido, uma garota perdida no espaço. Pobre Thaina, o destino não quisera lhe corresponder. Pobre sejam os corações humanos, que se apaixonam mesmo sabendo das dolorosas conseqüências trazidas por esse sentimento.
Uma história sem final, uma ponta branca no meio dessa imensidão azul, uma pessoa sem coração . . . um mundo sem sentimentos.